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Guillermo del Toro apresenta nova versão de Frankenstein com estreia na Mostra de SP

Entretenimento

O diretor mexicano Guillermo del Toro exibe sua mais recente adaptação de Frankenstein durante a 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O longa, previsto para chegar aos cinemas antes de integrar o catálogo da Netflix, apresenta uma leitura gótica do clássico de Mary Shelley e reúne um elenco liderado por Oscar Isaac, Jacob Elordi e Mia Goth.

Enredo e elenco principal

Na nova versão, Oscar Isaac interpreta Victor Frankenstein, cientista que desafia os limites da natureza ao dar vida a uma criatura criada em laboratório. O experimento, conduzido por ambição e egocentrismo, acaba gerando consequências trágicas para criador e criação. Jacob Elordi assume o papel da criatura, enquanto Mia Goth integra o núcleo principal ao lado de Charles Dance, que vive o pai de Victor.

Segundo a programação oficial da Mostra, o filme resgata temas centrais do romance de 1818 — responsabilidade científica, rejeição social e disputa moral entre criador e criatura —, mas enfatiza o romantismo gótico presente na obra original. Especialistas apontam que o olhar de del Toro destaca a humanidade da criatura, aspecto reforçado pela atuação contida e emotiva de Elordi.

Produção, estética e temas abordados

A Netflix concedeu liberdade criativa e orçamento amplo para o cineasta, conhecido por títulos como “A Forma da Água” e “O Labirinto do Fauno”. O resultado, de acordo com relatos da organização do festival, é um espetáculo visual próximo à opulência vista em “A Colina Escarlate”. Cenários grandiosos, jogo de luz e sombra e figurinos detalhados compõem a atmosfera sombria, porém poética, que caracteriza o trabalho do diretor.

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Referências bíblicas permeiam a narrativa. Há menção à leitura de Adão e Eva pela criatura e à iconografia de crucificação durante o processo de eletrificação que lhe dá vida. Esses elementos reforçam o debate sobre o “brincar de Deus”, central na mitologia do Frankenstein. Relatórios de bastidores indicam que del Toro explora o conflito paternal em duas camadas: primeiro, entre Victor e seu próprio pai; depois, entre Victor e o ser que criou.

A violência, presente em cenas descritas como pontuais, surge como expressão dos “males humanos” e não como artifício gratuito. De acordo com pessoas envolvidas na produção, o diretor optou por mostrar explosões de fúria da criatura como consequência direta de dor e rejeição, aproximando o monstro de dilemas puramente humanos.

Além do terror: mistura de gêneros

Embora o romance de Shelley seja considerado um marco do terror, del Toro e parte do elenco afirmaram em entrevistas que o longa não deve ser rotulado exclusivamente como filme de gênero. O projeto combina fantasia, ficção científica e drama, ainda que mantenha raízes no horror clássico. Críticos que já assistiram a sessões preliminares destacam a melancolia da história, sugerindo que a sensação de medo se mistura a um sentimento de compaixão pela criatura.

Analistas de mercado observam que a estratégia de lançamento — primeiro em circuito de festivais, depois nos cinemas e, por fim, na Netflix — deve ampliar o alcance global da produção. O método replica o percurso recente de “Pinóquio”, animação de del Toro que venceu o Oscar e consolidou a parceria com o serviço de streaming.

Impacto para o público e para o setor

Para o espectador, a nova versão aprofunda questões contemporâneas sobre ética científica e aceitação do diferente, podendo estimular debates em escolas, clubes de cinema e plataformas digitais. No mercado, a produção reforça a tendência de grandes estúdios investirem em adaptações literárias com forte assinatura autoral. Caso o filme repita o êxito de projetos anteriores do diretor, especialistas preveem aumento da demanda por releituras semelhantes de clássicos góticos.

Curiosidade

O interesse de Guillermo del Toro por Frankenstein é antigo: o diretor mantém, em seu arquivo pessoal, mais de uma centena de desenhos e maquetes da criatura acumulados ao longo de três décadas. Parte desse material serviu de base para o design final do novo longa, mostrando como a paixão de longa data do cineasta finalmente ganha forma em tela grande.

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