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Hackers se unem a crime organizado e ampliam roubo de cargas em escala global

Tecnologia

A integração entre grupos de hackers e organizações criminosas especializadas em roubo de cargas está elevando o risco para transportadoras e empresas de logística em vários países. De acordo com pesquisa recente da Proofpoint, pelo menos três coletivos de cibercriminosos passaram a oferecer serviços digitais a quadrilhas que atuam no desvio de mercadorias, criando um modelo híbrido que ameaça toda a cadeia de suprimentos.

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Estratégia combina engenharia social e acesso remoto

O esquema identificado começa com a invasão de redes corporativas de transportadoras, corretores de frete ou operadores de terminais. Segundo a Proofpoint, os criminosos obtêm credenciais por meio de campanhas de phishing e, em seguida, instalam softwares legítimos de acesso remoto para assumir o controle total dos computadores-alvo.

Uma parte crucial da operação ocorre em plataformas conhecidas como load boards, usadas para conectar cargas disponíveis a transportadoras. Hackers publicam ofertas fictícias; quando o profissional do transporte responde, recebe um e-mail com link malicioso que instala a ferramenta de acesso remoto. A urgência típica do setor — prazos apertados e alta demanda — aumenta as chances de o link ser aberto sem verificação prévia.

Com o sistema comprometido, as quadrilhas conseguem alterar dados de embarque, redirecionar caminhões e interceptar informações de rastreamento. A mercadoria é então desviada para galpões clandestinos, onde passa a ser revendida no mercado paralelo ou exportada ilegalmente.

Impacto financeiro e setores mais visados

Relatórios indicam que as perdas por roubo de carga somaram US$ 35 bilhões em 2024, valor que pode crescer 22% em 2025 caso a tendência se mantenha. Alimentos e bebidas, sobretudo energéticos, lideram a lista de produtos mais procurados. De acordo com o National Insurance Crime Bureau, a categoria apresentou aumento de 27% nos casos no último ano.

Especialistas em segurança cibernética observam que itens perecíveis não exigem verificação de número de série, o que facilita a revenda rápida. Já eletrônicos e vestuário surgem como alvos secundários, mas igualmente rentáveis em plataformas de comércio eletrônico clandestinas.

Convergência entre cibercrime e crime organizado

A Proofpoint afirma ter “alta confiança” de que os hackers não agem de forma isolada. Em vez disso, oferecem conhecimento técnico para quadrilhas com infraestrutura logística já consolidada. Essa “terceirização” digital acelera o planejamento dos roubos e reduz o risco dos criminosos tradicionais serem rastreados por transações eletrônicas.

Autoridades destacam que a maioria dos ataques é orquestrada a partir de fora dos Estados Unidos, com indícios de bases na Rússia e em países do Leste Europeu. Ainda assim, o alcance é global: portos, centros de distribuição e corredores rodoviários de alto volume estão entre os alvos prioritários.

Medidas de mitigação e desafios para o setor

Empresas de logística têm reforçado protocolos de autenticação e monitoramento de e-mails corporativos, mas o desafio permanece. “O uso de ferramentas de acesso remoto legítimas torna a detecção mais difícil, pois o tráfego aparenta ser normal”, explica Selena Larson, analista sênior da Proofpoint.

Segundo especialistas, a cooperação entre empresas, seguradoras e agências governamentais é fundamental. Boas práticas incluem autenticação multifator, treinamento constante de funcionários em reconhecimento de phishing e segmentação de redes para limitar movimentos laterais dos invasores.

Apesar do esforço, a natureza distribuída da cadeia logística — envolvendo embarcadores, transportadoras terceirizadas e marketplaces — cria múltiplos pontos de entrada para o criminoso. “Cada elo vulnerável compromete o sistema inteiro”, resume Larson.

O que muda para transportadoras e consumidores

Para o mercado, o principal reflexo é o aumento de custos operacionais e de seguros. Transportadoras já relatam prêmios até 15% mais altos em contratos recentes, segundo dados de corretoras especializadas. Na ponta do consumidor, o repasse pode significar produtos mais caros ou prazos de entrega menos previsíveis.

Empresas que dependem de entrega rápida — e-commerce, cadeia de frio e indústrias just-in-time — tendem a sentir o impacto primeiro. Caso as perdas continuem a subir, partes da logística podem migrar para modais alternativos ou reforçar escoltas presenciais, o que eleva ainda mais o custo final.

Para aprofundar o tema da segurança digital e conhecer outras iniciativas de proteção de dados, recomendamos a leitura de reportagens recentes na editoria de Tecnologia, onde abordamos soluções e tendências para mitigar ameaças cibernéticas.

Em resumo, a colaboração entre hackers e crime organizado cria uma ameaça multifacetada que vai além da tecnologia. A combinação de conhecimento digital avançado com estruturas criminosas tradicionais desafia regulações, pressiona margens de lucro e afeta diretamente a experiência do consumidor. Empresas que investirem em prevenção e inteligência compartilhada terão vantagem competitiva na redução de riscos.

Curiosidade

Você sabia que o primeiro registro de desvio de cargas usando fraude tecnológica data de 2011, quando criminosos interceptaram sinais de GPS para enganar motoristas no Reino Unido? A evolução para ataques remotos completos ilustra como o cibercrime acompanha e explora cada avanço logístico, reforçando a necessidade de defesas sempre atualizadas.

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