A Tesla registrou nova retração nas vendas europeias em julho de 2025. Segundo dados da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA), foram 8.837 veículos emplacados no mês, volume 40 % inferior ao verificado no mesmo período de 2024.
Desempenho contrasta com expansão do mercado elétrico
O recuo da montadora liderada por Elon Musk não reflete o comportamento geral do segmento de carros elétricos na região. De acordo com a ACEA, o total de registros de veículos movidos a bateria cresceu em julho, impulsionado por concorrentes como a chinesa BYD. A marca asiática emplacou 13.503 unidades, alta de 225 % em relação ao ano anterior, e superou a Tesla no período.
Julho marcou o sétimo mês consecutivo de retração para a companhia norte-americana na Europa. Além da concorrência mais acirrada, a empresa enfrenta dificuldade adicional em mercados específicos. Na Alemanha, por exemplo, as vendas caíram quase 50 % no mês posterior ao apoio público de Musk ao partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), resultando em menos de 900 emplacamentos.
Pressão também nos Estados Unidos
O cenário desafiador repete-se no mercado doméstico. Até o momento, 2025 tem mostrado desaceleração nas vendas norte-americanas da Tesla, embora um impulso temporário tenha sido observado com a proximidade do fim do crédito fiscal federal para elétricos, previsto para 30 de setembro. A possível retirada do incentivo tende a elevar o preço final dos veículos e pode afetar ainda mais a demanda.
Outro fator de risco é o término, estabelecido no projeto de lei “Big Beautiful Bill”, das receitas obtidas com créditos de carbono. Nos últimos dez anos, esses créditos representaram cerca de US$ 11,8 bilhões para a Tesla, funcionando como importante fonte adicional de caixa.
Medidas e desafios operacionais
Diante da queda na procura, a companhia suspendeu em julho a possibilidade de clientes europeus configurarem e encomendarem os modelos S e X, sinalizando ajuste temporário na produção. Paralelamente, o mercado de usados nos Estados Unidos passou a contar com maior oferta de veículos da marca, o que pressiona a revenda e pode impactar a busca por modelos novos.
As dificuldades começaram a ganhar força após o envolvimento de Musk em iniciativas políticas, incluindo um posto no Departamento de Eficiência Governamental da administração do então presidente Donald Trump. Mesmo após anunciar seu afastamento desse papel em maio, o empresário ainda não conseguiu reverter a tendência negativa de vendas.

Imagem: Internet
Perspectivas para os próximos meses
Analistas do setor monitoram a estratégia da Tesla para conter a perda de participação. Entre as alternativas discutidas estão ajustes de preço, lançamento de versões mais acessíveis e aceleração de novos projetos, como plataformas de veículos compactos. A empresa também pode buscar acordos com governos europeus para garantir condições tributárias competitivas, medida que tem sido adotada por rivais chineses em países como Espanha e Hungria.
Enquanto isso, fabricantes concorrentes continuam expandindo presença, aproveitando a crescente aceitação do público por veículos elétricos. Com a continuidade da transição energética na Europa, a expectativa é de aumento da concorrência, principalmente a partir de marcas asiáticas que apresentam preços agressivos e gama diversificada.
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Em resumo, a Tesla enfrenta um quadro de retração significativa na Europa, contraste com o avanço de rivais e a expansão geral do mercado elétrico. A companhia terá de ajustar preços, portfólio e estratégia política para recuperar fôlego. Continue acompanhando nossas atualizações para entender como essa disputa moldará o futuro da mobilidade sustentável.
Curiosidade
Apesar da queda atual, a Tesla foi a primeira montadora a ultrapassar 1 milhão de veículos elétricos produzidos globalmente. O marco aconteceu em março de 2020 e consolidou a empresa como referência em tecnologia de baterias. A companhia também detém uma das maiores redes de carregadores rápidos do mundo, os Superchargers, instalados em mais de 50 países. Esses pontos permitem recarga de até 80 % da bateria em cerca de 30 minutos, fator que impulsionou a adoção de seus modelos no início da expansão do mercado elétrico.