O beija-flor-de-Anna (Calypte anna), espécie nativa da costa oeste da América do Norte, chama a atenção de observadores e pesquisadores por um fenômeno óptico que faz a ave parecer mudar de cor em frações de segundo. O efeito, visível sobretudo na cabeça e na garganta dos machos, resulta da interação entre a luz e a microestrutura das penas, não de alterações reais de pigmento.


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Estrutura das penas cria cores variáveis
A plumagem do beija-flor-de-Anna é composta por camadas microscópicas de queratina e melanina organizadas em bárbulas. Quando a luz incide sobre essas estruturas, parte é refletida, parte é absorvida e outra porção sofre interferência. Essa combinação gera um fenômeno chamado iridescência, responsável por exibir tons que variam do verde metálico ao rosa intenso conforme o ângulo de observação e a intensidade da iluminação.
Segundo especialistas, a coloração é classificada como estrutura, não como pigmento. Isso significa que a cor percebida depende do modo como as ondas luminosas se reorganizam após atravessar as camadas das penas, processo comparável ao brilho colorido de bolhas de sabão ou asas de borboletas. Dessa forma, a ave não altera quimicamente sua plumagem; ela apenas “manipula” a luz por meio de propriedades físicas já presentes no corpo.
O efeito óptico foi documentado em alta velocidade por pesquisadores da Universidade da Califórnia, que registraram variações cromáticas em intervalos inferiores a 100 milissegundos. Os resultados confirmam que a aparente troca de cor está diretamente ligada à posição relativa entre observador, fonte de luz e ave.
Funções biológicas vão além da estética
Relatórios indicam que a iridescência cumpre papéis essenciais na vida do beija-flor-de-Anna. Durante a época de acasalamento, machos com plumagem mais vibrante tendem a atrair mais fêmeas, sinalizando boa condição física e alimentação adequada. O brilho intenso também contribui para a defesa de território: ao refletir luz de forma abrupta, o pássaro se torna mais visível e intimidador diante de rivais.
Além de consumir néctar, esses beija-flores capturam pequenos insetos, auxiliando no controle de pragas e na polinização de diversas espécies vegetais. Dessa forma, o fenômeno ótico se combina a uma função ecológica fundamental, reforçando o equilíbrio de ecossistemas em regiões como Califórnia e Colúmbia Britânica.
De acordo com dados oficiais sobre conservação, o beija-flor-de-Anna apresenta baixa preocupação na lista da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN). Mesmo assim, pesquisadores alertam que a disponibilidade de alimento e a qualidade do habitat influenciam diretamente o brilho das penas, já que a produção de queratina estrutural exige dieta rica em proteínas e minerais.
Inspiração para materiais inteligentes
O interesse científico na iridescência extrapola a biologia. Laboratórios de biomimética analisam a arquitetura das penas para criar materiais que mudam de cor sem pigmento, apenas controlando o caminho da luz. Possíveis aplicações incluem tecidos inteligentes, tintas de segurança contra falsificação e sensores ópticos de baixo consumo energético. Segundo estudos publicados no Journal of Materials Science, camadas de polímeros dispostas de forma semelhante às bárbulas podem reproduzir cores vívidas sem aditivos químicos, reduzindo impactos ambientais na indústria têxtil.

Imagem: Gary Luhm
Engenheiros avaliam ainda o uso desses princípios em painéis solares, explorando a capacidade de direcionar comprimentos de onda específicos e aumentar a eficiência de captura de energia. Casos anteriores de tecnologias inspiradas em estruturas naturais — como superfícies antiaderentes baseadas em folhas de lótus — demonstram o potencial econômico de pesquisas desse tipo.
Impacto para o leitor: entender como a física da luz gera a ilusão de troca de cor ajuda a valorar observações de aves a céu aberto e indica caminhos para inovações que podem chegar ao dia a dia, desde roupas que mudam de tom automaticamente até embalagens com autenticação óptica contra fraudes.
Curiosidade
Embora a iridescência seja comum em beija-flores, poucas espécies apresentam contraste tão marcante quanto o beija-flor-de-Anna. Em registros fotográficos de alta definição, a mesma pena pode parecer magenta sob o sol da manhã e esmeralda ao anoitecer. Esse efeito extremo ocorre porque as camadas de queratina estão espaçadas em intervalos próximos ao comprimento de onda da luz visível, amplificando o fenômeno de interferência luminosa.
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