Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Stanford indica que a adoção da inteligência artificial está afetando de forma desproporcional os trabalhadores em começo de carreira nos Estados Unidos. O relatório, que analisou dados recentes do mercado de trabalho, apresenta seis evidências que sustentam a hipótese de que a revolução da IA já provoca impacto significativo no segmento de vagas de entrada.
Declínio concentrado entre jovens profissionais
Segundo o estudo, profissionais entre 22 e 25 anos empregados em ocupações mais expostas à automação por IA registraram uma queda relativa de 13% na taxa de emprego desde a popularização dos sistemas generativos. As funções abrangem, principalmente, atendimento ao cliente e desenvolvimento de software, áreas nas quais a tecnologia consegue executar rotinas repetitivas com maior rapidez.
A comparação com grupos mais experientes revela um cenário de contraste. Para trabalhadores com maior tempo de mercado ou para aqueles em setores menos suscetíveis à IA — como enfermagem —, o nível de emprego permaneceu estável ou continuou a crescer. Os autores destacam que a diferença reforça o caráter direcionado dos efeitos: a automação atinge primeiro cargos iniciais, onde tarefas tendem a ser padronizadas.
Automação pesa mais que aumento de produtividade
O relatório detalha que os efeitos negativos se concentram em funções alvo de automação, em oposição a atividades nas quais a IA atua como ferramenta de apoio. Quando o software executa todo o processo, a substituição de mão de obra é mais acentuada; já nos casos em que o algoritmo apenas auxilia o trabalho humano, não se observou o mesmo nível de retração.
Mesmo ao considerar choques externos — como variações de juros —, o padrão se manteve. A pesquisa também controlou fatores como possibilidade de trabalho remoto e proporção de profissionais com diploma universitário, sem alterar o resultado central: a IA afeta mais o volume de empregos do que os salários, pelo menos no momento. Embora a remuneração média não tenha apresentado queda relevante, a disponibilidade de vagas diminuiu.
Números gerais de desemprego seguem estáveis
Dados do Bureau of Labor Statistics apontam que o desemprego agregado nos Estados Unidos segue moderado. A taxa ficou em 4,2% em julho, após marcar 4% em maio e 4,1% em junho. O contraste entre a estabilidade geral e a redução localizada em postos de nível júnior sugere que o impacto da IA ainda é setorial, mas tende a se aprofundar conforme a tecnologia evolui.

Imagem: Internet
Os pesquisadores não elaboraram projeções, tampouco recomendaram políticas públicas específicas. Contudo, ressaltaram a necessidade de monitoramento contínuo para avaliar se a discrepância entre faixas etárias e tipos de ocupação vai se ampliar.
Para acompanhar outras notícias sobre avanços da inteligência artificial e seus reflexos no trabalho, visite a nossa seção de tecnologia, que é atualizada diariamente.
Em síntese, o estudo de Stanford reforça o alerta de que funções de entrada, altamente padronizadas e digitais, estão mais vulneráveis à automação imediata. Empresas, trabalhadores e formuladores de políticas públicas podem usar essas evidências para ajustar programas de capacitação e mitigar riscos no curto prazo. Continue acompanhando nossas publicações para saber como a IA redefine o mercado de trabalho e outras áreas da economia.
Curiosidade
Estimativas citadas no relatório mostram que, em algumas empresas de software, até 30% do código de rotinas simples já é gerado por IA. Nas centrais de atendimento, assistentes virtuais conseguem responder a solicitações básicas em segundos, liberando agentes humanos apenas para casos complexos. Esses dois exemplos ilustram por que atividades repetitivas em estágios iniciais de carreira aparecem como as primeiras a sofrer cortes de vagas. Se a tendência continuar, a importância de habilidades complementares — como resolução de problemas e comunicação — deve aumentar ainda mais.