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Sonda JUICE inicia em novembro a primeira observação remota do cometa interestelar 3I/ATLAS

Ciência

Agência Espacial Europeia (ESA) vai usar a sonda JUICE, lançada em abril de 2023, para registrar entre 2 e 25 de novembro o cometa 3I/ATLAS, terceiro objeto interestelar já detectado no Sistema Solar.

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Embora a missão principal da JUICE seja investigar as luas geladas de Júpiter a partir de 2031, a equipe de controle incluiu uma campanha científica extra durante o longo trajeto até o planeta gigante. O plano aproveita a atual geometria orbital entre a espaçonave, o Sol e o cometa, permitindo medições seguras sem comprometer a estabilidade térmica dos instrumentos.

Por que a campanha é considerada inédita

Esta será a primeira vez que uma sonda com destino a Júpiter realizará observações detalhadas de um visitante interestelar. Até hoje, apenas dois objetos desse tipo, 1I/‘Oumuamua e 2I/Borisov, haviam sido estudados a partir de telescópios terrestres e de sondas em órbita solar. O 3I/ATLAS, descoberto em 2023, tornou-se o terceiro na lista e atraiu atenção imediata da comunidade científica pela oportunidade de comparar sua composição com a de cometas formados no Sistema Solar.

Segundo engenheiros da ESA, a campanha foi adicionada ao cronograma depois de análises que mostraram ser possível cumprir a janela de observação sem prejudicar os testes de rotina da jornada interplanetária. A operação ilustra uma tendência crescente de “ciência de oportunidade”, em que missões em cruzeiro passam a coletar dados relevantes mesmo fora de seu escopo original.

Cinco instrumentos, três semanas de coleta e dados só em 2026

O período útil de medição vai da primeira à última semana de novembro. Nesse intervalo, a JUICE ativará cinco equipamentos de sensoriamento remoto:

  • Câmera óptica de alta resolução;
  • Imageador no infravermelho próximo;
  • Espectrômetro ultravioleta;
  • Instrumento submilimétrico para análise de poeira e gases;
  • Sensor de átomos neutros, capaz de mapear partículas energéticas.

Como a sonda está a milhões de quilômetros do objeto, não haverá aproximação física. Todo o estudo será feito por detecção à distância, focado em brilho, espectro químico e variações de atividade do núcleo. De acordo com cientistas do projeto, a taxa de transmissão de dados durante o cruzeiro é baixa, limitando o envio a poucas dezenas de quilobits por segundo. Por isso, todo o material deverá chegar às estações terrestres apenas em 2026.

Para reduzir riscos, o time de solo dividiu a campanha em sessões curtas, alternadas com períodos de resfriamento dos instrumentos. A estratégia atende às restrições térmicas da JUICE, projetada para operar na órbita de Júpiter, onde a radiação solar é cerca de 25 vezes menor que perto da Terra.

Benefícios científicos e tecnológicos

Especialistas afirmam que comparar poeira e gases de um cometa interestelar com os de cometas “domésticos” pode trazer pistas sobre a origem de água e moléculas orgânicas em planetas rochosos. Relatórios da ESA lembram que esses componentes são essenciais para entender como ambientes potencialmente habitáveis surgem em diferentes sistemas planetários.

Além do valor científico direto, a iniciativa testa técnicas de imageamento e compressão de dados que também são utilizadas em monitoramento terrestre, previsão ambiental e diagnóstico por imagem. A própria ESA ressalta que instrumentos capazes de medir traços químicos em condições extremas acabam adaptados para aplicações médicas e industriais.

Nenhum risco para a Terra

O 3I/ATLAS atingiu o periélio — ponto mais próximo do Sol — em 29 de outubro de 2025. Mesmo assim, sua órbita segue inclinada e distante o suficiente para não representar ameaça ao nosso planeta. Projeções indicam que a maior aproximação da Terra ocorrerá em dezembro, mas a uma distância segura.

Com a Lua fora do caminho e sem interferência atmosférica no espaço profundo, a JUICE terá condições privilegiadas para medir a emissão de gases sublimados e mapear a cauda do cometa, normalmente mais intensa logo após o periélio. Esses registros servirão de base para análises comparativas com dados coletados por telescópios terrestres e por instrumentos em Marte, que já foram apontados para o mesmo alvo.

Próximos passos da JUICE rumo a Júpiter

Concluída a campanha, a espaçonave seguirá o cronograma de sobrevoos assistidos pela gravidade de Vênus e da própria Terra, previstos para otimizar combustível e encurtar a viagem. A chegada ao sistema joviano está marcada para meados de 2031. Uma vez lá, a JUICE será a primeira missão a entrar em órbita de uma lua de outro planeta, Ganimedes, além de realizar sobrevoos em Calisto e Europa.

Os cientistas esperam que a experiência adquirida no estudo de 3I/ATLAS ajude a refinar procedimentos de coleta de dados nas luas geladas, consideradas potenciais abrigos de oceanos subterrâneos. Qualquer melhoria na calibração de espectrômetros e câmeras poderá aumentar a precisão na busca por indícios de atividade hidrotermal ou compostos orgânicos nessas regiões.

Impacto para o leitor

Para quem acompanha avanços em exploração espacial, a observação do 3I/ATLAS mostra como missões de longa duração podem gerar descobertas adicionais sem elevar custos significativamente. No cotidiano, tecnologias validadas nesse processo podem chegar a serviços de previsão climática mais precisos, sensores ambientais de baixo consumo e até exames médicos menos invasivos.

Se você tem interesse em inovações que cruzam fronteiras entre ciência e aplicações práticas, vale acompanhar os resultados dessa coleta de dados, que devem ser divulgados a partir de 2026.

Quer continuar a explorar temas de tecnologia espacial e suas implicações? Visite a seção dedicada no nosso site em Tecnologia e fique por dentro das próximas missões.

Curiosidade

O prefixo “3I” no nome do cometa indica que ele é o terceiro objeto identificado com trajetória claramente interestelar (“I” de interestelar). Antes dele, apenas 1I/‘Oumuamua, em 2017, e 2I/Borisov, em 2019, haviam recebido essa classificação. A nomenclatura segue regras da União Astronômica Internacional e ajuda a diferenciar corpos gerados fora do nosso Sistema Solar.

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